quinta-feira, 10 de março de 2016
Para refletir....
Era uma vez uma geração que se achava muito livre.
Tinha pena dos avós, que casaram cedo e nunca viajaram para a Europa.
Tinha pena dos pais, que tiveram que camelar em empreguinhos ingratos e suar muitas camisas para pagar o aluguel, a escola e as viagens em família para pousadas no interior.
Tinha pena de todos os que não falavam inglês fluentemente.
Era uma vez uma geração que crescia quase bilíngue. Depois vinham noções de francês, italiano, espanhol, alemão, mandarim.
Frequentou as melhores escolas.
Entrou nas melhores faculdades.
Passou no processo seletivo dos melhores estágios.
Foram efetivados. Ficaram orgulhosos, com razão.
E veio pós, especialização, mestrado, MBA. Os diplomas foram subindo pelas paredes.
Era uma vez uma geração que aos 20 ganhava o que não precisava. Aos 25 ganhava o que os pais ganharam aos 45. Aos 30 ganhava o que os pais ganharam na vida toda. Aos 35 ganhava o que os pais nunca sonharam ganhar.
Ninguém podia os deter. A experiência crescia diariamente, a carreira era meteórica, a conta bancária estava cada dia mais bonita.
O problema era que o auge estava cada vez mais longe. A meta estava cada vez mais distante. Algo como o burro que persegue a cenoura ou o cão que corre atrás do próprio rabo.
O problema era uma nebulosa na qual já não se podia distinguir o que era meta, o que era sonho, o que era gana, o que era ambição, o que era ganância, o que necessário e o que era vício.
O dinheiro que estava na conta dava para muitas viagens. Dava para visitar aquele amigo querido que estava em Barcelona. Dava para realizar o sonho de conhecer a Tailândia. Dava para voar bem alto.
Mas, sabe como é, né? Prioridades. Acabavam sempre ficando ao invés de sempre ir.
Essa geração tentava se convencer de que podia comprar saúde em caixinhas. Chegava a acreditar que uma hora de corrida podia mesmo compensar todo o dano que fazia diariamente ao próprio corpo.
Aos 20: ibuprofeno. Aos 25: omeprazol. Aos 30: rivotril. Aos 35: stent.
Uma estranha geração que tomava café para ficar acordada e comprimidos para dormir.
Oscilavam entre o sim e o não. Você dá conta? Sim. Cumpre o prazo? Sim. Chega mais cedo? Sim. Sai mais tarde? Sim. Quer se destacar na equipe? Sim.
Mas para a vida, costumava ser não:
Aos 20 eles não conseguiram estudar para as provas da faculdade porque o estágio demandava muito.
Aos 25 eles não foram morar fora porque havia uma perspectiva muito boa de promoção na empresa.
Aos 30 eles não foram no aniversário de um velho amigo porque ficaram até as 2 da manhã no escritório.
Aos 35 eles não viram o filho andar pela primeira vez. Quando chegavam, ele já tinha dormido, quando saíam ele não tinha acordado.
Às vezes, choravam no carro e, descuidadamente começavam a se perguntar se a vida dos pais e dos avós tinha sido mesmo tão ruim como parecia.
Por um instante, chegavam a pensar que talvez uma casinha pequena, um carro popular dividido entre o casal e férias em um hotel fazenda pudessem fazer algum sentido.
Mas não dava mais tempo. Já eram escravos do câmbio automático, do vinho francês, dos resorts, das imagens, das expectativas da empresa, dos olhares curiosos dos “amigos”.
Era uma vez uma geração que se achava muito livre. Afinal tinha conhecimento, tinha poder, tinha os melhores cargos, tinha dinheiro.
Só não tinha controle do próprio tempo.
Só não via que os dias estavam passando.
Só não percebia que a juventude estava escoando entre os dedos e que os bônus do final do ano não comprariam os anos de volta.
__________
Por Ruth Manus
Publicado Originalmente em Estadão
Não vou não...
Você que é a favor do tráfico e consumo de drogas, vá à passeata do dia 13/03, pois Aécio Neves está chamando.
Você que é a favor do estupro vá também pois o Bolsonaro está convocando.
Se você é a favor que as mulheres nordestinas sejam esterilizadas, vá à passeata, pois Ronaldo Caiado vai estar lá.
Se você é a favor de funcionários fantasmas, pode ir pois José Serra e Carlos Sampaio os chama.
Se você acha que nós contribuintes temos que manter filhos e amantes de ex-presidente no exterior, seu lugar é na passeata, pois FHC vai estar lá.
Se você não se importa em roubar merenda das crianças, vá com o Alckmin para a passeata.
Se você acha que receber propina de milhões é coisa normal e não um crime, você será bem recebido por Agripino Maia na passeata.
Você também será bem vindo na passeata se não achar um crime e sim pura esperteza o Eduardo Cunha ter milhões na Suíça.
Se você se identificou com algum desses "puritanos" acima, não tenha dúvidas, seu lugar é ao lado deles.Vá.
Mariana Tripode
Para se pensar....
ENTREVISTA COM: O economista Francisco Soriano. publicada no portal Carta Maior.
Ele lembra que, apesar da crise, a companhia aumentou sua produção em quase 5% no ano passado.
“Não vão conseguir privatizar Petrobras”, a certeza parte do economista e diretor do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro, Francisco Soriano, que respalda sua afirmação com cifras:
“apesar das crises interna e externa, nós aumentamos a produção em quase 5% em 2015, com 2,1 milhões de barris por dia, e superamos as previsões no plano de negócios da empresa, com um desempenho excelente da área do pré-sal (águas ultraprofundas)”.
A verdade é Petrobras é uma empresa forte, inclusive depois dos ataques que visam, há anos, levar à sua privatização.
Não se pode usar o argumento de que está quebrada, porque ela vem aumentando sua produção todos os meses, e já estamos perto de 1 milhão de barris extraídos dos poços da área do Pré-sal (descobertos em 2007).
Isso anula o que dizem os meios e as agências internacionais que anunciavam que não seria possível tirar um produto rentável de tanta profundidade, porque se necessitava uma tecnologia muito cara. Nós fizemos.
Tiramos petróleo de mais de 5000 metros de profundidade, porque temos tecnologia de ponta, engenheiros reconhecidos no mundo todo.
O Pré-sal é a joia da coroa.
Sim, falando de 90 bilhões de barris de óleo cru comprovados, e nossos engenheiros consideram que podemos ter outras reservas gigantes enterradas, é uma possibilidade que poderia duplicar, triplicar, quem sabe multiplicar até mais as reservas comprovadas.
São recursos muito cobiçados por outras companhias e pelos países centrais, onde há recursos insuficientes, por isso eles estão com os olhos sobre o nosso litoral marítimo, uma zona econômica das mais importantes neste momento.
Não se trata só da riqueza, é um tema geopolítico.
Quando o Pré-sal foi descoberto, os Estados Unidos moveu sua IV Frota para perto das costas do Rio de Janeiro, onde estão os campos gigantes.
Até onde chega a pressão norte-americana?
Os ataques contra a Petrobras nascem de várias forças aliadas do exterior, e claro que os Estados Unidos fazem parte disso, mas não somente.
Eles têm apoios dentro do nosso país.
É uma engrenagem grande.
Falamos de um poderoso lobby estrangeiro, da participação de serviços de inteligência como a NSA (Agência Nacional Segurança estadunidense), que pactuam com os grupos golpistas do Brasil: há empresários participando, o setor financeiro e os partidos de direita, que pedem o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
A disputa pela Petrobras explica o impeachment (juízo político)?
São gigantescos os interesses gigantescos envolvidos na campanha pela queda de Dilma, uma presidenta que nunca foi simpática com as grandes petroleiras privadas, desde os tempos em que era ministra de Lula e supervisou o novo marco regulatório do petróleo.
Uma presidenta que não fez os leilões de campos que as estrangeiras pediram.
Ela autorizou sim o leilão do megacampo de Libra, que foi vencido por um consórcio formado pela Petrobras e por empresas da China e de outros países, num leilão onde as empresas norte-americanas ficaram de fora.
Esse leilão foi depois das escutas ilegais da NSA.
Isso foi um escândalo muito grave, porque a NSA invadiu as comunicações da presidenta e da Petrobras, e nunca disseram que informações foram roubadas.
Não será que essa informação é a que se usa agora para atacar a Petrobras?
Eu acho que essa pergunta deve ser feita.
A presidenta pediu a Barack Obama que entregasse a informação que foi roubada pela NSA, mas nunca se devolveu nenhum dado, algo bastante raro.
Foi um caso gravíssimo, e depois disso Dilma teve a altivez de rejeitar um convite de Obama para uma visita de Estado (marcada para meados de 2013).
Foi algo inédito, uma mandatária sul-americana rejeitando uma visita a Washington.
Antes, os presidentes iam correndo, independente da situação.
O marco regulador do petróleo é um ponto central?
As corporações internacionais perderam toda esperança com Dilma assim que o governo deu sinais de que não vai retroceder no caso do marco regulador do petróleo.
Há muitas críticas à presidenta que são justificadas, mas no caso da política para o petróleo eu acho que ela não vai dar o braço a torcer, e não permitirá que voltemos à legislação entreguista de Fernando Henrique Cardoso.
Durante aqueles dois mandatos (entre 1995-2003) o modelo de concessões foi imposto a pedido das multinacionais, o que acarretou problemas seríssimos.
As forças Armadas ocuparam refinarias e houve repressão pesada contra os trabalhadores. Também houve a demissão de centenas de companheiros petroleiros. FHC passou com um rolo compressor sobre o movimento sindical, suspendeu nossas fontes de financiamento, que eram absolutamente legais.
– O que querem mudar da atual lei?
– Eles querem alterar a legislação que surgiu no segundo governo de Lula (2007-2011), para ter acesso às nossas reservas.
O que eles querem?
Que haja mais leilões, restabelecer o regime de concessões do FHC, quando a Shell, a British Petrolium e a Chevron ganhavam os campos e se tornavam donas do petróleo.
Agora isso não acontece mais, porque temos um regime de participação compartilhada.
Onde está a diferença central?
– Agora também há leilões, mas a lei obriga que mesmo quando uma petroleira estrangeira vence, a extração seja realizada em conjunto com a Petrobras, e a Petrobras decide quanto será extraído e é a dona do recurso.
As multinacionais já não podem levar tudo o que querem a qualquer momento.
Agora o petróleo é tratado como um bem não renovável, estratégico, destinado ao desenvolvimento da indústria energética e do país em geral.
Em 1954, pouco depois de criar a Petrobras, o presidente Getúlio Vargas sofreu um ataque sistemático das foras reacionárias, que promoveram uma investigação judicial liderada por um juiz da Força Aérea, algo absurdo do ponto de vista institucional.
Era parte do plano golpista.
Depois, o tribunal da Aeronáutica ordenou a prisão de gente próxima a Getúlio.
Todo esse processo foi repudiado pelas forças populares, que usaram a expressão “República do Galeão” para denunciar o que acontecia. Hoje, está ocorrendo algo parecido com o processo do chamado “Petrolão”, porque é um caso típico de estado de exceção judicial.
Um atentado judicial claro
Equipe Debate
Ele lembra que, apesar da crise, a companhia aumentou sua produção em quase 5% no ano passado.
“Não vão conseguir privatizar Petrobras”, a certeza parte do economista e diretor do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro, Francisco Soriano, que respalda sua afirmação com cifras:
“apesar das crises interna e externa, nós aumentamos a produção em quase 5% em 2015, com 2,1 milhões de barris por dia, e superamos as previsões no plano de negócios da empresa, com um desempenho excelente da área do pré-sal (águas ultraprofundas)”.
A verdade é Petrobras é uma empresa forte, inclusive depois dos ataques que visam, há anos, levar à sua privatização.
Não se pode usar o argumento de que está quebrada, porque ela vem aumentando sua produção todos os meses, e já estamos perto de 1 milhão de barris extraídos dos poços da área do Pré-sal (descobertos em 2007).
Isso anula o que dizem os meios e as agências internacionais que anunciavam que não seria possível tirar um produto rentável de tanta profundidade, porque se necessitava uma tecnologia muito cara. Nós fizemos.
Tiramos petróleo de mais de 5000 metros de profundidade, porque temos tecnologia de ponta, engenheiros reconhecidos no mundo todo.
O Pré-sal é a joia da coroa.
Sim, falando de 90 bilhões de barris de óleo cru comprovados, e nossos engenheiros consideram que podemos ter outras reservas gigantes enterradas, é uma possibilidade que poderia duplicar, triplicar, quem sabe multiplicar até mais as reservas comprovadas.
São recursos muito cobiçados por outras companhias e pelos países centrais, onde há recursos insuficientes, por isso eles estão com os olhos sobre o nosso litoral marítimo, uma zona econômica das mais importantes neste momento.
Não se trata só da riqueza, é um tema geopolítico.
Quando o Pré-sal foi descoberto, os Estados Unidos moveu sua IV Frota para perto das costas do Rio de Janeiro, onde estão os campos gigantes.
Até onde chega a pressão norte-americana?
Os ataques contra a Petrobras nascem de várias forças aliadas do exterior, e claro que os Estados Unidos fazem parte disso, mas não somente.
Eles têm apoios dentro do nosso país.
É uma engrenagem grande.
Falamos de um poderoso lobby estrangeiro, da participação de serviços de inteligência como a NSA (Agência Nacional Segurança estadunidense), que pactuam com os grupos golpistas do Brasil: há empresários participando, o setor financeiro e os partidos de direita, que pedem o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
A disputa pela Petrobras explica o impeachment (juízo político)?
São gigantescos os interesses gigantescos envolvidos na campanha pela queda de Dilma, uma presidenta que nunca foi simpática com as grandes petroleiras privadas, desde os tempos em que era ministra de Lula e supervisou o novo marco regulatório do petróleo.
Uma presidenta que não fez os leilões de campos que as estrangeiras pediram.
Ela autorizou sim o leilão do megacampo de Libra, que foi vencido por um consórcio formado pela Petrobras e por empresas da China e de outros países, num leilão onde as empresas norte-americanas ficaram de fora.
Esse leilão foi depois das escutas ilegais da NSA.
Isso foi um escândalo muito grave, porque a NSA invadiu as comunicações da presidenta e da Petrobras, e nunca disseram que informações foram roubadas.
Não será que essa informação é a que se usa agora para atacar a Petrobras?
Eu acho que essa pergunta deve ser feita.
A presidenta pediu a Barack Obama que entregasse a informação que foi roubada pela NSA, mas nunca se devolveu nenhum dado, algo bastante raro.
Foi um caso gravíssimo, e depois disso Dilma teve a altivez de rejeitar um convite de Obama para uma visita de Estado (marcada para meados de 2013).
Foi algo inédito, uma mandatária sul-americana rejeitando uma visita a Washington.
Antes, os presidentes iam correndo, independente da situação.
O marco regulador do petróleo é um ponto central?
As corporações internacionais perderam toda esperança com Dilma assim que o governo deu sinais de que não vai retroceder no caso do marco regulador do petróleo.
Há muitas críticas à presidenta que são justificadas, mas no caso da política para o petróleo eu acho que ela não vai dar o braço a torcer, e não permitirá que voltemos à legislação entreguista de Fernando Henrique Cardoso.
Durante aqueles dois mandatos (entre 1995-2003) o modelo de concessões foi imposto a pedido das multinacionais, o que acarretou problemas seríssimos.
As forças Armadas ocuparam refinarias e houve repressão pesada contra os trabalhadores. Também houve a demissão de centenas de companheiros petroleiros. FHC passou com um rolo compressor sobre o movimento sindical, suspendeu nossas fontes de financiamento, que eram absolutamente legais.
– O que querem mudar da atual lei?
– Eles querem alterar a legislação que surgiu no segundo governo de Lula (2007-2011), para ter acesso às nossas reservas.
O que eles querem?
Que haja mais leilões, restabelecer o regime de concessões do FHC, quando a Shell, a British Petrolium e a Chevron ganhavam os campos e se tornavam donas do petróleo.
Agora isso não acontece mais, porque temos um regime de participação compartilhada.
Onde está a diferença central?
– Agora também há leilões, mas a lei obriga que mesmo quando uma petroleira estrangeira vence, a extração seja realizada em conjunto com a Petrobras, e a Petrobras decide quanto será extraído e é a dona do recurso.
As multinacionais já não podem levar tudo o que querem a qualquer momento.
Agora o petróleo é tratado como um bem não renovável, estratégico, destinado ao desenvolvimento da indústria energética e do país em geral.
Em 1954, pouco depois de criar a Petrobras, o presidente Getúlio Vargas sofreu um ataque sistemático das foras reacionárias, que promoveram uma investigação judicial liderada por um juiz da Força Aérea, algo absurdo do ponto de vista institucional.
Era parte do plano golpista.
Depois, o tribunal da Aeronáutica ordenou a prisão de gente próxima a Getúlio.
Todo esse processo foi repudiado pelas forças populares, que usaram a expressão “República do Galeão” para denunciar o que acontecia. Hoje, está ocorrendo algo parecido com o processo do chamado “Petrolão”, porque é um caso típico de estado de exceção judicial.
Um atentado judicial claro
Equipe Debate
quarta-feira, 9 de março de 2016
Tenham dó!
LULA: RICO, CORRUPTO E LADRÃO Amigos e amigas, não tem sentido nem lógica que um homem que, durante oito anos, dirigiu um governo e teve poder sobre as estatais da sétima economia do mundo seja acusado de ter operado, no governo, para obter vantagens nas obras de um sítio, ou de um apartamento de menos de 200 metros quadrados – ambos, aliás, nem mesmo de sua propriedade, comprovadamente, embora tivesse dinheiro suficiente, do que acumulou nos últimos anos, para compra-los. Num esquema de corrupção onde diretores de estatal recebiam dezenas de milhões de dólares, onde um simples gerente da Petrobras, corrupto, acumulou R$ 100 milhões, vai-se acusar o homem que detinha tanto poder por pedalinhos, bote de lata e outras bobagens, aliás tudo ocorrido após o seu mandato? Quando algo não parece fazer sentido, procure um. Porque nada, mesmo o que parece sem sentido, acontece sem ter um. Recomendo que todos leiam com atenção o que escreveu um grande jornalista, destes que, como eu, não vendem a sua consciência em troca de um salário polpudo da Globo ou de qualquer outro veículo escroque da imprensa brasileira - infelizmente a maioria das pessoas acha que profissionais assim não existem, pelo simples fato de colocarem o dinheiro acima do ideário ou do caráter de um homem. O texto de um jornalista independente: LULA: RICO, CORRUPTO E LADRÃO Luiz Fernando Emediato O título acima reproduz o que ignorantes, irresponsáveis, pobres diabos principalmente de classe média alta – aqueles que têm inveja dos ricos e raiva dos pobres – vivem dizendo por aí, manipulados pelas porcarias que lêem de vez em quando. Vejamos: Lula recebeu 104 salários ao longo de seu mandato, algo em torno de R$ 3 milhões de reais, que não precisou gastar, pois vivia à custa do Estado. Portanto, aplicou. Em oito anos, esses R$ 3 milhões viraram algo em torno de R$ 6 milhões. Ao sair da presidência – como Fernando Henrique Cardoso e Bill Clinton –andou pelo Brasil e o mundo fazendo palestras regiamente pagas por construtoras multinacionais (sim), bancos, instituições diversas e até pelas Organizações Globo. Cobrou caro, mais que Fernando Henrique, no que fez muito bem.Palestra de Lula vale mais, pois são mais divertidas e nem um pouco pedantes. Essas palestras – palestras verdadeiras, documentadas felizmente pelo escritorFernando Morais , que está escrevendo um livro sobre Lula – renderam, para nosso ex-presidente, algo em torno de R$ 30 milhões, que ele pode ter usado comprando a cobertura onde mora, os pedalinhos dos netos, a canoa de lata de Dona Marisa, engradados de cerveja e toneladas de picanha. Parece que doou uma pequena parte para filhos, e fez bem em não doar mais, pois filhos precisam trabalhar e ganhar o seu próprio dinheiro, até mesmo – se um dia tiverem competência – para comprar o Friboi. Se os donos do Friboi quiserem vender, do que duvido. Não usou para comprar o tal triplex no Guarujá (uma porcaria, na verdade, apesar do puxa-saquismo da Construtora, que nela colocou até elevador, ansiosa para agradar e vender). Nem para comprar o tal sítio em Atibaia, que lhe foi oferecido por amigos e filho. (Vi umas fotos aéreas do sítio e fiquei abismado com a má conservação do piso ao redor do lago, cuja água me pareceu bem suja). Agora vamos falar de corrupção. Consideremos que Lula tivesse se corrompido de verdade, como aquele presidente africano que não sai da cadeira há quase 30 anos e cuja filha é a mulher mais rica da África. Suponhamos que tivesse se corrompido como algum ex-agente da KGB ou general soviético, que hoje possui algo em torno de US$ 10 bilhões. Ou como algum anônimo militar chinês, que enriqueceu a família inteira, na casa dos bilhões de yuans, claro que arriscando ser executado de joelhos, com uma bala na nuca. Mas suponhamos que ele não tivesse desmedida ambição. Que quisesse enriquecer apenas como enriqueceram – como o uso de informação privilegiada, claro, pois jamais pegariam “propina” – os antigos economistas de José Sarney, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, que se contentaram em ser “modestos” banqueiros e em terem apenas uns R$ 5 bilhões de patrimônio. Cada um deles, é claro. Se Lula – presidente da sexta, ou sétima, vá lá, economia do mundo – se corrompeu, e restou com apenas R$ 30 milhões em caixa, ele seria, me perdoem, um perfeito incompetente. E isso ele não é. Tudo bem que ele, do ponto de vista da classe média, “enriqueceu”. Mas convenhamos: andar pelo Brasil e o mundo fazendo palestra de graça para grandes empresas e grandes instituições seria o cúmulo da burrice. Nesse caso, melhor seria ele se internar num mosteiro franciscano. Tenham dó.
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